quinta-feira, 26 de abril de 2018

SYREN, uma loucomotiva movida a Heavy Metal.

Luiz sempre foi um grande cantor, tendo passado por algumas bandas autorais e até em uma banda cover do Iron Maiden. De uns anos para cá passou a se dedicar exclusivamente a sua banda SYREN ,excelente grupo de Metal tradicional que já conta com 2 excelentes discos lançados em sua carreira angariando cada vez mais fãs, críticas excelentes e elogios de artistas influentes como Roy Z e Jorn Lande.
Bati um papo com Luiz, um cara super talentoso e também divertidíssimo.
Vamos ao papo !

Entrevista por Luis Carlos
Fotos: Divulgação.






1 – Recentemente a banda se apresentou com um show acústico em um evento com Timo Kotipelto (Stratovarius) e Jani Liimatainen (Sonata Arctica). Como foi essa experiência?

LS - Na verdade essa não foi a nossa primeira incursão as versões acústicas, participamos de um programa muito interessante chamado Pod Caverna e tocamos essas versões na rádio, a novidade foi que dessa vez fizemos para mais de 100 pessoas no Teatro Odisseia, dividindo o palco com 2 ícones do Heavy Metal Melódico e com 3 convidados ultra especiais (Rodrigo Rossi, Thiago Velásquez e Daniel Escobar). Nada de anormal... ahahahaha 

2 – Vocês tocaram sem a presença do guitarrista Alirio Solano. Por que isso aconteceu?

LS - Então, Lili ( intimidade é um problema ) se formou com honras em uma das maiores escolas de luthiearia do Brasil que se localiza em SP, além de começar seu curso próprio de aulas de guitarra. 
Um desafio novo se fez presente em nossas vidas e compreendemos perfeitamente o caminho tomado por ambos, continuamos muito amigos ( coisa rara), nos falamos sempre e vou soltar um spoiler...O rapaz está preparando algo novo em termos de som para brindar aos seus admiradores da guitarra, talvez tenha alguns berros meus por lá 😬....Aguardem !!! 

3 – No começo da carreira o grupo chegou a contar com dois guitarristas, mas, parece que decidiram ficar de vez contando com um guitarrista. Por que essa decisão já que geralmente duas guitarras são consideradas fundamentais para quem faz um som mais tradicional?

LS - Não pensamos no comum... a indústria sempre tem esses "modelinhos" que vem dentro da caixinha e os vendem como a máxima do mercado...ahahah
Se você é Heavy Metal tradicional tem que ter 2 guitars ou 1 guitar e 1 teclado, não pode ter vocais agressivos demais, Gutural ? Nem pensar!! Ahhhh.. não se esqueça dos agudos na estratosfera!!! Ahahha

Nada contra, mas, houveram os pioneiros e eles ainda estão de pé e perpetuando a sua arte, não precisamos seguir ou repetir as mesmas fórmulas, precisamos nos influenciarmos pela época que vivemos, pela cultura que consumimos, mas,  sem perdermos a essência própria do estilo. Além do mais existem milhares de bandas tocando o Metal das caveiras como um quarteto... ahahahaha

4 – O grupo tem dois trabalhos lançados: “Heavy Metal” e “Motordevil”. Já são 4 anos que o grupo não lança nada novo. Alguma previsão de um novo trabalho?

LS - Na verdade são 2 anos e meio... tivemos sérios problemas com o lançamento do "Motordevil" por conta de uma gravadora americana, eles travaram o álbum por quase 2 anos, além de outros fatores contratuais com o álbum "Heavy Metal", ficamos totalmente voltados a liberar os álbuns sem muito sucesso, além de algumas mudanças de formações ocorridas nesse período e isso consumiu muito de nosso tempo e criatividade.
Agora estamos em fase de produção do 3º álbum, mas, será lançado um single e um vídeo desse single antes mesmo de entrarmos em definitivo no estúdio para gravarmos o álbum completo, como falei, pensamos um pouco fora do convencional.. ahahha 

5 – Eu que te conheci cantando em uma banda cover chamada “The Trooper”, grupo que fazia tributo ao Iron Maiden e que mais a frente participou de bandas como Atlantida, entre outras. Como foi essa transição de fazer cover para autoral?

LS - O The Trooper foi criado da minha necessidade de estar em um palco e foi fácil juntar mais 4 malucos para essa finalidade.
Bem, claro que depois tudo mudou, a banda começou servir para pagar as nossas biritas e para destruirmos camarins, até onde eu lembro foram bons e loucos tempos.

Artisticamente pensando o Trooper era um passo para o suicídio, pois, eu me sentia bem frustrado em não ter material próprio e detona-lo no palco conquistando as pessoas,  e na época eu pensava que a banda não estaria pronta para tal, pois estava em uma zona de conforto, com shows lotados, grana para as despesas do bar e seguidores, sair de um patamar desses para começar do zero é bem complicado para muitos...

Minha transição foi bem tranquila, estava sufocado artisticamente e vivendo uma ilusão, então, voltei ao zero com algumas bandas ótimas do cenário na época, infelizmente, muitas não tinham a estrutura para viver do underground.

6 – O fato da sua voz ser comparada a do Bruce Dickinson ajudou ou de alguma forma te atrapalhou para que você evoluísse como cantor?

LS - Eu realmente não sei te responder isso!!! AHAHHAHA
No começo eu ficava bem irritado e frustrado com essa comparação, afinal, eu como artista quero que reconheçam e consumam o meu trabalho de voz e em uma banda que faço parte. Hoje em dia desencanei um pouco, o que me deixa aliviado é ler e escutar que não tento imita lo, apenas, em algumas partes os timbres se confundem. 
Minha evolução como cantor veio de muito estudo, e isso se deu quando tentava cantar WASP ou Slayer e perdia a voz!! Ahhahah

Com Liimataimem (Sonata Arctica) e Kotipelto (Stratovarius)


7 – Você que já está há bastante tempo no cenário. Como enxerga o cenário hoje para o da época que você começou a gostar de Metal?

LS - Quando comecei a gostar de Metal existia pouca coisa sobre o estilo e bandas, assim como não existiam afiliações políticas ( tirando os Punks ), palestras sobre empreendedorismo na música, vídeos aulas e etc... nós éramos uns adolescentes que queriam ser diferentes e o Metal foi e é a trilha sonora dessa caminhada e pessoas, a essência da música pesada foi essa, as grandes bandas tinham grandes empreendedores e empresários  por trás para manter los como músicos e criando obras primas. 

Hoje vejo que continuam a existir poucas bandas, discussões políticas sem nenhum embasamento ou sentido misturado as bandas, vejo a molecada se auto policiando  numa caça às bruxas bizarra ao invés de estar criando e construindo coisas novas, vivem com medo e escravos de sí mesmos e de seu próprio sistema limitador ( afinal quem são os inimigos hoje em dia ), o Metal ficou chato e limitado, assim o próprio mercado. 

8 – O Syren chegou a fazer turnê em alguns países sul-americanos. Existe a possibilidade de novas e futuras turnês?

LS - Com certeza!!! Logo terão notícias sobre, no momento estamos conquistando o nosso país que é enorme, mas, ano que vem teremos novidades das terras frias !!! Ahahha

9 – Não sei se isso é uma pegadinha. (risos) Mas entre “Heavy Metal” e “Motordevil”. Qual seu disco preferido?

LS - Amo os dois álbuns, o meu preferido ainda não foi feito ou lançado !!! AHHAHAH

10 – Deixe suas considerações finais para os leitores do Arte Condenada.

LS - Agradeço o espaço cedido por você e a Arte Condenada.
Agradeço a todos que apoiaram ou consumiram a nossa arte de alguma maneira, indo aos shows, comprando o merchan, nos compartilhando para os amigos ou simplesmente escutando a nossa música , sem isso não teria a menor condição de continuar. 

NOSSO MUITO OBRIGADO E NOS VEMOS NA PRÓXIMA ESTAÇÃO !!!!

terça-feira, 24 de abril de 2018

CENA ATUAL DO ROCK CARIOCA

Texto por Luis Carlos
Imagem: Google / reprodução de internet.





Tem mais músico do que público na cena musical carioca hoje.
Muitos músicos que não se sentem mais público e não vão para shows, a violência na cidade que acabou afastando boa parte desse público, fora que, um estilo que se estagnou no começo de 2000 e não se renovou ao longo dos anos, em parte pela falta de apoio da mídia que não valorizou o que acontecia aqui o que existia lá fora.

Quando valorizou alguma coisa se restringiu a promover poucos grupos que não tinha nenhum comprometimento real com o estilo em artistas que pareciam mais forjados para o sucesso do que realmente demonstravam algum esforço para isso, inclusive fazendo um tipo de música que poucas vezes parecia com Rock.
Olhe que tem bandas boas por aqui até hoje, mas...

A cena Rock na cidade parou no fim da década de 90 e tudo que aconteceu depois foram pequenos rompantes e alardes de alguma coisa boa aqui e ali, mas que jamais se colocariam como uma cena real que estivesse aflorando e pudesse dar um novo fôlego para o estilo no RJ. O Brasileiro nunca se uniu para nada e não seria com a música que isso aconteceria. Já o carioca, esse se perde muito mais na diversão do que na atitude.

O Rio ainda é e continuará sendo a cidade do Samba e do Funk, e nada contra os estilos, porque enquanto nisso tudo o Rock se comportar como um mero entretenimento tudo que teremos serão os eventos internacionais e festivais como Rock in Rio lotados, nada mal, mas para fazer com que o estilo não passe mesmo de uma marca e uma moda aos olhos de quem não conhece ou valoriza o que acontece fora disso, ou, não vê mesmo nenhum potencial comercial que justifique algum investimento dessas pessoas que não valorizam tanto aquilo que dizem gostar.
Eu não tiro a razão de quem pensa assim.

O próprio Rock in Rio, em determinados depoimentos, disse que o estilo já não atraia tanto público e por isso mesmo na última edição abriu espaço para outros artistas. Culpa do rock in Rio ? Não, culpa dos fãs que mais preferem mais julgar do que apoiar.
É um misto de incredulidade e ignorância.

Nada contra, até porque gosto de algumas e tenho amigos que fazem cover, mas se você reparar bem, nenhum outro estilo valoriza tanto as bandas covers como faz o Rock, e tudo isso porque existe uma boa parcela do público que não se interessa em ouvir o que é novo assim como boa parte dos músicos só veem nessa condição algum jeito de ganhar dinheiro fazendo Rock na cidade.
Gostando ou não, eu não vejo Sertanejo, Pagode, Funk ou outro estilo que seja mais popular valorizando covers, mas sim, produzindo som autoral. Do pouco que eu vi até agora, todos eles possuem uma estrutura mais profissional do que qualquer banda nova de Rock. As vezes o Rock é adolescente demais, tão adolescente que se esquece de crescer como deveria, e olhe que ele ainda é bem popular no Brasil e atrai uma grande geração de fãs que vão de 15 a 60 anos, mas, que não se sustenta por tanto tempo e por tantas coisas que o próprio estilo se apropria e que vão além da música, em uma sistema de auto sabotagem.
Um exemplo ? As brigas políticas.

Surgem e acabam bares de Rock em um piscar de olhos. Lojas acabam e outras resistem ao tempo. Uma nova geração aparece descompromissada com o passado e tudo parece imediato demais. Não existe valorização, pesquisa, comprometimento com mais nada. Tudo tem virado história, lenda, bordões e mesmo vivendo em uma era digital, o estilo caminha a passos lentos e não cria mais nada, só recicla, recicla e recicla.

Bem disse um professor de Filosofia que ao me ver com um camisa do Kiss comentou:
"Um dia o estilo ficará reduzido a um pequeno público em bares, assim como aconteceu com o Jazz e o Blues americano."
Começo a achar que ele tem razão.

domingo, 22 de abril de 2018

CHILDREN OF THE BEAST - ensinando Iron Maiden para as crianças


CHILDREN OF THE BEAST – Tributo ao Iron Maiden
Evento: Iron Maiden for kids.      
Local: Theatro Bangu
Dia: 22/04/2018

Resenha por Luis Carlos
Fotos por Luciana Pires




 Poucas bandas hoje são tão populares como o Iron Maiden, que ao longo de décadas de carreira e muitos discos lançados que se tornaram um marco no Heavy Metal mundial, construiu uma geração de fãs em toda parte do mundo com um leque de canções e histórias que fizeram com que o grupo se tornasse uma lenda.
Ainda hoje lançando discos, atravessando modismos e enfrentando a resistência, pouca, diga-se de passagem, de quem ainda diz que o grupo está ultrapassado e nada tem a acrescentar mais para o estilo, esses ingleses liderados pelo genial Steve Harris e sob o comando de voz daquele que é considerado o maior vocalista do estilo, Bruce Dickinson, comprova na força que a sua música possui tendo como um bom exemplo o fato de termos uma banda excelente fazendo cover e um evento chamado “for kids” (na tradução: para crianças), apostando que a música do grupo ainda tem muito o que dizer e que se um dia o grupo acabar eles se tornarão uma lenda, assim como foi com os Beatles e o Led Zeppelin. Exagero? Acho que não.

Tocando "The Trooper".
                Falando na excelente banda cover, me refiro ao “Children of the Beast”, o melhor tributo ao Iron Maiden no Brasil, talvez uma das melhores do mundo, contando com músicos de primeiríssima linha, que se tivessem tocando em um país decente onde a música é realmente valorizada como deveria, em especial o Heavy Metal, talvez fosse mais valorizado e certamente estariam alcançando voos maiores em suas carreiras. O Teatro Bangu abriu as portas para a apresentação do grupo, comprovando que além de estarem levando muita arte para as pessoas do bairro e também de bairros próximos, demonstrou a sabedoria de não ter preconceito um estilo musical tão popular no Brasil, porém, tão mal recebido pelo preconceito forjado pela grande mídia. Ainda que seja uma banda fazendo um tributo e não uma banda autoral tocando músicas próprias, o teatro deu um grande passo para quem sabe abrigar novos e futuros eventos assim. Sendo um teatro e com outro evento para acontecer a noite, ainda que com um atraso o grupo subiu ao palco para tocar alguns grandes clássicos do Iron Maiden. Talvez pela espera para que o público ficasse maior, o teatro permitiu aos que tinham comprado ingresso para ficar no balcão, que é um lugar que fica acima das cadeiras, pudessem descer e ficar nos assentos abaixo. O público não foi o esperado, mas é o sintoma de pessoas que tem se importado mais em frequentar bares gratuitos e gastar mais com bebida do que com música. Só que o evento era bem mais do que isso, já que ele era destinado para crianças, tanto que o local ficou cheio delas. Claro que com suas exceções, porque eu mesmo fui com minha esposa para fotografar o evento.

A participação do mascote Eddie.
Valeu muito a pena porque a banda além de ser ótima, a criançada deu um brilho a mais no espetáculo, principalmente pela participação na música “The Number of the Beast” e um pequeno concurso de “Air Guitar” com três delas. Quem diria que um dia eu veria um show de Heavy Metal falando do número da besta, com um diabo no fundo do palco e crianças se divertindo. Nada mais didático. (risos) 

O evento também contou com um apresentador, que infelizmente não sei o nome, mas que cumpriu bem seu papel interagindo entre a história do Rock com aquilo que a criançada saberia ouvir e ao mesmo tempo se divertir dando um toque pessoal e performático a apresentação.  

O set contou com 10 músicas, o que eu achei pequeno, porém, acredito que isso deva ter acontecido justamente por ter sido um evento diferenciado para o grupo, mas, pude ouvir brilhantes músicas do Iron tocadas com devoção e profissionalismo. Teve “Aces High” (com a brilhante introdução de um trecho do discurso de Churchill chamado “Churchill Speech”), “2 Minutes to Midnight”, “Hallowed by the Name”, “Wasted Years”, “Wratchild” (para relembrar a fase do primeiro vocalista Paul Di´Anno), “Powerslave” (que rolou a entrada do mascote Eddie), entre outras. O set se encerrou, para minha surpresa, com “Run to the Hills”. Estava esperando que tocassem “Iron Maiden”. 

De qualquer forma, curta, mas uma apresentação brilhante e de um projeto que se tem confirmado como sucesso, tanto que essa era a terceira de quarto datas que eles teriam só nesse final de semana.
O que dizer desse evento?
UP THE IRONS !!!





quinta-feira, 19 de abril de 2018

IRON MAIDEN - "De 1980 a 1981"


Estarei abordando nesta matéria a carreira da Banda inglesa IRON MAIDEN entre os anos de 1980 e 1992 porque além de um grande fã do grupo e um dos meus preferidos, é inegável não reconhecer a importância de um dos pilares do Heavy Metal mundial.
Estarei resenhando os discos lançados durante esse período, exceto Ep`s e discos ao vivo.

Texto por Luis Carlos
Fotos: imagens / reprodução internet.




IRON MAIDEN (1980)
O primeiro disco do Iron Maiden é um daqueles primeiros discos lançados por uma banda onde o que se vê é uma banda capaz de alcançar muitas conquistas em sua carreira no futuro além de u mdisco. Liderados pelo então desconhecido Steve Harris, está no baixista o alicerce de um grupo que fazia a diferença entre tantas bandas que despontavam na época e que soube ir além do movimento N.W.O.B.H.M. para fazer com sua carreira se tornasse duradoura.
Ao lado do guitarrista e fiel escudeiro Dave Murray, Steve e cia lançou um bom disco e já recheado de excelentes músicas. Comparado aos discos posteriores, o “debut” não é tão bem gravado, principalmente as guitarras, mas com um potencial e um poder sonoro em canções como Prowler, música que abre o disco, e longas canções como Phantom of the Opera, que fazem a diferença.  O disco foi gravado por Will Malone e ainda não contava com as belas produções de Martin Birch, mas, já estava ali Dereck Riggs, ilustrador que acompanharia o grupo fazendo muitas capas de discos e também criado do Eddie, e Rod Smallwood como manager. Ou seja, além de ser um excelente grupo que sabia o que queria, criava toda uma estrutura além da música que ao longo dos anos faria a diferença. A maioria das composições foram escritas por Harris, algumas em parceria com o vocalista Paul Di`Anno e outras com a participação de Murray. “Charlotte the Harlot”, por exemplo, é uma rara canção composta unicamente pelo guitarrista Dave Murray. Completavam o time, o guitarrista Dennis Stratton e o excelente e saudoso baterista Clive Burr.
Não só pela gravação, mas até mesmo por alguns riffs, tem uma pequena influência do Punk, ainda que Harris não goste, mas, talvez pela influência do vocalista Di`anno, um fã assumido de Punk Rock. O disco ainda possui excelentes canções como a bela balada “Strange World”, a instrumental ”Transilvania”, as cruas e viscerais “Running Free” e “Iron Maiden”, além da clássica lado b “Sanctuary”.





KILLERS (1981)
Killers é a primeira grande transição na carreira do Iron Maiden. Uma por ter canções mais bem elaboradas, o que claramente se vê no fato de agora ter dois excelentes guitarristas que solam, já que Adrian Smith entrou nesse disco no lugar de Dennis Stratton. Outra é o fato de ter uma gravação bem melhor, e contando com a produção de Martin Birch.
Diante dessas citações positivas não estava Paul Di`Anno, um bom vocalista, mas que não acompanhava com tanto profissionalismo a evolução de um grupo que cada vez mais teria que lhe dar com compromissos profissionais à medida que o Iron Maiden estava crescendo no mercado e angariando mais e mais fãs. O baixista Harris compôs ainda mais do que no disco anterior. O ainda novato Adrian Smith só se revelaria um grande compositor a partir do disco seguinte. “Killers” é uma faixa-título bem superior à “Iron Maiden”, além de ser um disco com outras excelentes músicas “Wratchild” e “Murders in the Rue Morgue”. Curiosamente, ao longo da carreira o Iron Maiden toca mais músicas ao vivo do primeiro disco do que do “Killers”.
Voltando a falar de Di`Anno, “Killers” acabou sendo o último disco do vocalista no grupo, que foi despedido e substituído por “Bruce Dickinson” meio a turnê do disco, então vocal do Sansom, e com uma voz bem diferente de Di`Anno, Bruce tinha muito mais alcance e traria para o grupo outras possibilidades na carreira. Claro que eu, assim como outros fãs do Maiden, tenho lá suas predileções por esse ou aquele vocalista, muitas pelo Di`Anno também, mas é difícil negar que mesmo ele sendo bom, soe apenas esforçado diante de um grupo que evoluiu com o segundo trabalho e que todos os integrantes estavam bem à frente dele. Já conseguiu imaginar se esse disco tivesse sido gravado por Dickinson nos vocais ? Ou você acha que teria ficado bom se Di`Anno tivesse gravado o “The Number of the Beast ? Acho inegável não concordar que assim como Adrian Smith no lugar de Dennis Stratton, Bruce Dickinson fez com que o Iron Maiden se tornasse maior. Aliás, Steve Harris além de um excelente músico sempre foi muito inteligente quanto ao que ele queria para carreira do Iron Maiden.



segunda-feira, 16 de abril de 2018

JUDAS PRIEST - Firepower (2018)


JUDAS PRIEST – “Firepower” (2018)

Gravadora: Sony Music.

Resenha por Luis Carlos



O que depender do Judas Priest, o Heavy Metal continuará firme e forte por um bom tempo, ainda que sua carreira já esteja perto do fim. A última baixa foi o problema de saúde envolvendo o guitarrista Glenn Tipton, sendo substituído pelo produtor do disco e também guitarrista Andy Sneap. Kk Downing, que fazia a “dobradinha sagrada do Metal” com Tipton já está fora da banda porque resolveu se aposentar. Ian Hill, o baixista, continua ali paradão e eficiente como sempre, e Rob Halford, ao vivo já dá seus ares de cansaço, mas que em estúdio continua pooderoso. Compreensível.
“Firepower” é muito bom, não foge dos padrões “Judas de ser”, mas é justamente aquilo o que o fã do grupo quer. Fazer Heavy Metal sem invencionices baratas e modernismos ruins. O anterior, “Redeemer of Souls”, também foi um bom álbum, mas esse supera com sobras. Parece que Judas, mais o Saxon e o Accept são a santíssima Trindade do Metal tradicional porque fora isso, até se acha alguma coisa legal aqui e ali, mas nada com uma identidade musical que realmente impressione, parecendo meras cópias desses grupos citados. O disco possui 14 músicas, o que eu considero um pouco exagerado e cansativo para o estilo, mas à medida que você vai ouvindo músicas como “Lightning Strike” (Para mim essa é a melhor do disco!), “No Surrender”, “Guardians”, a faixa-título “Firepower” vai se percebendo do porquê o grupo é considero pelos fãs como uma verdadeira banda do estilo. Ritchie Faukner, substitulo de Kk Downing, está matando a pau e com a certeza de que foi a escolha certa na substituição e parece ter dado um novo fôlego ao grupo. Não somente pela criatividade, mas até mesmo pela entrada de um integrante mais novo em um grupo de veteranos.
A capa de “Firepower” é comum, mas como antes disse sobre o fã do Judas, inventar para que ? Agora é aguardar sobre o futuro do grupo com esse problema do Tipton e saber o que o destino reserva para esses bastiões do Heavy metal clássico.


domingo, 15 de abril de 2018

ANGELA RORO - Areninha Hermeto Paschoal (Lona cultural de Bangu)


ANGELA RORO – Uma grande voz nos palcos

Areninha Hermeto Paschoal (Lona Cultural de Bangu)
Data: 14/04/2018

Resenha e fotos por Luis Carlos

Em um país onde a MPB anda mais comprometida com a política do que com a boa música e Diva é sinônimo de beleza e não de boa cantora, Angela RoRo é daquelas cantoras que por mais que não tenha mais nada a provar para alguém pela música de qualidade que sempre produziu ao longo da sua carreira, ainda assim, é uma daquelas artistas que você assiste, admira e sai satisfeito com um show revigorante.

A intérprete e seu vozeirão invadiu o palco da Lona Cultural de Bangu em uma belíssima apresentação e não se esperaria outra coisa de uma artista que faz do palco a sua casa. Por mais que a MPB seja considerada um estilo monótono por quem não é fã, o que talvez se justifique nos cantores atuais que nada tem a acrescentar para o estilo, Angela vai além e faz de um estilo muitas vezes introspectivo algo divertido, até mesmo pelo humor e pela postura que sempre teve diante dos fãs. Não é de hoje, mas de 1979 quando lançou seu primeiro disco, que a cantora não parou mais e durante a década de 80 lançou sucessivos trabalhos obtendo bastante reconhecimento pelo que fazia. A década de 90 não foi muito produtiva, porém Angela entrou em 2000 com força total e o que comprovei no palco da Lona de Bangu foi uma cantora que parece ter parado no palco, mas não no sentido negativo, mas sim, de como ela soube se reinventar e seguir adiante com maestria. Lembrando ainda que Angela não é só uma excelente intérprete, como também uma compositora de mão cheia. Na apresentação não faltaram os grandes sucessos de Angela, e claro, o bom humor de sempre. Inclusive, para falar do som ruim que vinha para o palco. “Amor, meu grande amor” (A quem ela dedicou a música a Ana terra, uma das compositoras), 
 Escândalo (música que dá nome ao terceiro disco e de autoria de Caetano Veloso), Além de “Ne me quitte pas” de Jacques Brel e famosa na voz de Edith Piaf. Até as novas canções do seu último disco agradaram em cheio, tanto que Angela disse que estava feliz porque o público veio para cantar e estavam afinadinhos. O que me resta (que ela dedicou para os cornos) e a faixa-título “Selvagem” são exemplos de uma intérprete que não parou no tempo e ainda produz excelentes canções, ambas compostas por ela, mas que também conta com a participação do músico Ricardo Mac Cord, músico que também a acompanhou nesse show. No final o público saiu dos assentos e foi para frente do palco ouvir “Malandragem”, música famosa na voz de Cassia Eller, a quem Angela deu um encanto único em sua belíssima interpretação. Só achei uma pena não ter ouvido “Cobaias de Deus”, música de sua autoria em parceria com cazuza.

Repito, o show foi maravilho, e no final fiz questão de adquirir o novo trabalho, assim como ir até o camarim para um breve papo e autógrafo com quem além de ser um talento nato, é uma simpatia de pessoa.


(*) Desculpem-me pelas fotos, que não ficaram com uma boa qualidade por terem sido tiradas por celular e onde a luz acabou piorando a imagem.

SAXON e sua fase mais clássica.

SAXON em sua fase mais clássica. Quando menciono fase clássica do  Saxon , isso também não significa que o que veio depois seja ruim, p...